o pior é descobrir
que no fundo poço
há uma porta lateral
a que se seguem escadas abissais
e que, à entrada da mesma, se lê,
gravado em letras garrafais -
"Deixai toda a esperança
Vós que entrais..."
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janeiro 26, 2009
novembro 19, 2008
(in)decisão
De tanto buscar nessa vida
essa inspiração que me falta
Deixei de fazer poesia -
Vou levar a vida na flauta...
essa inspiração que me falta
Deixei de fazer poesia -
Vou levar a vida na flauta...
junho 23, 2008
três letras
O mundo é um poço sem fundo
As horas ensinam sem dó
É guerra pra cima e pra baixo
É gente que vem e que vai
Há dias em que alguém te ama
Dias em que há na mesa o pão
A bolsa subindo ou descendo
Há o dia em que alguém te trai
Tudo facilmente se explica
Basta que se queira entender
Mas há uma coisa ainda
Que do meu pensamento não sai:
- Como pode caber tanto ai
nas três letras da palavra pai?...
As horas ensinam sem dó
É guerra pra cima e pra baixo
É gente que vem e que vai
Há dias em que alguém te ama
Dias em que há na mesa o pão
A bolsa subindo ou descendo
Há o dia em que alguém te trai
Tudo facilmente se explica
Basta que se queira entender
Mas há uma coisa ainda
Que do meu pensamento não sai:
- Como pode caber tanto ai
nas três letras da palavra pai?...
junho 29, 2007
como se fosse carnaval
não quero tua boa educação
teus ares de bom moço
as marcas no pescoço
para sempre serão
alergia
alergia
jamais serei a tua penitência
uma grande amor de conveniência
as marcas do meu meu rosto
para sempre serão
alegria
alegria
não quero tua consideração
o teu buquê de rosas
e tua conversa prosa
para sempre serão
adivinha
adivinha
abril 12, 2007
sou
andré damázio
uma seqüela
uma ameaça
uma vidraça
uma aquarela
sou
uma nuvem que passa
uma dor que regela
uma mancha amarela
uma piada sem graça
sou
teu riso
teu ciso
teu mais indeciso desejo
uma seqüela
uma ameaça
uma vidraça
uma aquarela
sou
uma nuvem que passa
uma dor que regela
uma mancha amarela
uma piada sem graça
sou
teu riso
teu ciso
teu mais indeciso desejo
junho 01, 2006
conhecimento
Não conheço o mar.
Nas vezes em que estive na praia
não o conheci.
Não conheço a lua.
Quando o céu fito à noite
ela é senão um rascunho de lembrança.
Não conheço o sol.
Esse calor, língua em minha fronte,
talvez seja seu último vestígio.
Não conheço o amor.
A beleza desse teu rosto
está sempre a me iludir.
Mas conheço a morte,
e mais aprendo sobre ela a cada respiração,
e mais conheço dela a cada escarro,
e mais reconheço-me nela a cada passo,
a cada amanhecer.
Mas conheço Deus,
e mais aprendo sobre ele a cada falha minha,
e mais conheço dele a cada acerto meu,
e mais reconheço-me nele a cada verso,
a cada anoitecer.
Nas vezes em que estive na praia
não o conheci.
Não conheço a lua.
Quando o céu fito à noite
ela é senão um rascunho de lembrança.
Não conheço o sol.
Esse calor, língua em minha fronte,
talvez seja seu último vestígio.
Não conheço o amor.
A beleza desse teu rosto
está sempre a me iludir.
Mas conheço a morte,
e mais aprendo sobre ela a cada respiração,
e mais conheço dela a cada escarro,
e mais reconheço-me nela a cada passo,
a cada amanhecer.
Mas conheço Deus,
e mais aprendo sobre ele a cada falha minha,
e mais conheço dele a cada acerto meu,
e mais reconheço-me nele a cada verso,
a cada anoitecer.
março 14, 2006
às vezes me bate qualquer coisa no peito
A Annie Proulx
Às vezes me bate qualquer coisa no peito
Qualquer coisa a ver com isso de ser assim
Qualquer coisa a ver com esse alguém no meu leito
Ou alguém dizendo que isso é ruim
Uma lágrima que dos meus olhos não salta
Alguma coisa que o meu corpo assalta
E assim sigo eu com essa intensa falta
do que nunca tive e que nunca terei
Que caiam as máscaras
Que cesse o sofrer
Que se ocupe o mundo de apenas viver
Cale-se a morte e seus consortes se calem
Que grite esse ódio e aquele querer
Que morra esta culpa e aquela vontade
nasça como um vento que afaga e destrói,
que derruba e constrói sempre a seu bel-prazer...
Às vezes me bate qualquer coisa no peito
Qualquer coisa a ver com isso de ser assim
Qualquer coisa a ver com esse alguém no meu leito
Ou alguém dizendo que isso é ruim
Uma lágrima que dos meus olhos não salta
Alguma coisa que o meu corpo assalta
E assim sigo eu com essa intensa falta
do que nunca tive e que nunca terei
Que caiam as máscaras
Que cesse o sofrer
Que se ocupe o mundo de apenas viver
Cale-se a morte e seus consortes se calem
Que grite esse ódio e aquele querer
Que morra esta culpa e aquela vontade
nasça como um vento que afaga e destrói,
que derruba e constrói sempre a seu bel-prazer...
dezembro 12, 2005
aquele pé de melancolia
Aquele pé de melancolia
plantado lá no quintal de casa,
depois de anos ostentando aquelas flores amarelas,
deu de seus frutos escuros, insípidos.
Aquele pé de melancolia,
regado com sua ausência lá no quintal de casa,
depois de anos ostentando aquelas flores amarelas,
deu de seus frutos escuros, insípidos.
E agora o dilema:
- Comê-los no café-da-manhã?
- Comê-los de sobremesa no almoço?
- Deixar que caiam lá quintal de casa
e apodreçam e gerem outras árvores?...
Um deles caiu na minha cabeça
hoje de manhã quando saia para o trabalho.
plantado lá no quintal de casa,
depois de anos ostentando aquelas flores amarelas,
deu de seus frutos escuros, insípidos.
Aquele pé de melancolia,
regado com sua ausência lá no quintal de casa,
depois de anos ostentando aquelas flores amarelas,
deu de seus frutos escuros, insípidos.
E agora o dilema:
- Comê-los no café-da-manhã?
- Comê-los de sobremesa no almoço?
- Deixar que caiam lá quintal de casa
e apodreçam e gerem outras árvores?...
Um deles caiu na minha cabeça
hoje de manhã quando saia para o trabalho.
dezembro 09, 2005
tristeza
Quero abrir um b_raco no mundo
um buraco bem fundo pra esconder minha tristeza
tão triste o buraco
tão mundo a tristeza
tão funda a vontade
Que quero abrir um outro
no fundo do buraco do mundo.
- Mãe, me dá mais que colo?
Mãe, me dá ventre...
um buraco bem fundo pra esconder minha tristeza
tão triste o buraco
tão mundo a tristeza
tão funda a vontade
Que quero abrir um outro
no fundo do buraco do mundo.
- Mãe, me dá mais que colo?
Mãe, me dá ventre...
janeiro 28, 2005
abstinência
Só mais um, vai.
Só unzinho só, só um.
Vai, deixa, um só,
mais um,
unzinho,
só mais um,
mais um só.
Sozinho.
Mais um,
Unzinho
Sozinho
e só.
Só unzinho só, só um.
Vai, deixa, um só,
mais um,
unzinho,
só mais um,
mais um só.
Sozinho.
Mais um,
Unzinho
Sozinho
e só.
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